Contexto da Fiscalização na Drenagem
A Prefeitura de Boa Vista, ao longo dos últimos cinco anos, alocou mais de R$ 500 milhões em projetos de drenagem urbana. Diante dessa significativa quantia aplicada, surgiu a necessidade de uma auditoria que examine a eficácia dessas iniciativas em mitigar os problemas de alagamentos que afetam a capital. O Ministério Público de Contas de Roraima (MPC-RR) protocolou um pedido ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR) solicitando uma avaliação detalhada dos investimentos realizados.
Investimentos e Resultados Esperados
O pedido de auditoria abrange recursos envolvidos nas gestões do ex-prefeito Arthur Henrique e dos primeiros meses do atual prefeito, Marcelo Zeitoune, entre 2021 e 2026. O objetivo principal é investigar se os cerca de 500 milhões de reais investidos resultaram em melhorias concretas na infraestrutura de drenagem e, consequentemente, na redução dos alagamentos registrados na cidade.
Análise da Eficácia dos Recursos Aplicados
O procurador de contas Paulo Sérgio Oliveira, ao representarem frente ao TCE-RR, solicitou uma análise profunda que contemple a eficiência, eficácia e efetividade das iniciativas de drenagem desenvolvidas. O foco é responder a uma pergunta crucial: esses investimentos realmente solucionaram os problemas de inundação anunciados pela Prefeitura?

Desafios Enfrentados pela População
Ainda que diversas promessas sobre melhorias tenham sido feitas ao longo dos anos, a realidade vivenciada por muitos cidadãos é a continuidade dos problemas de alagamento. Mesmo durante as chuvas em 2026, ruas permanecem alagadas e casas, comprometidas. Essa situação levanta questionamentos sobre a verdadeira eficácia dos investimentos realizados.
Críticas ao Planejamento de Drenagem
Um dos principais pontos ressaltados pelo MPC é a falta de um Plano de Drenagem e Manejo das Águas Pluviais Urbanas coerente. Mesmo após a revisão do Plano Diretor de Boa Vista em 2024, que apontou a criação desse instrumento como uma pendência, a realidade não apresentou melhorias significativas, refletindo a necessidade de um plano mais estruturado.
Divergência de Dados e Informações
Além disso, as informações fornecidas pela Prefeitura sobre a quantidade de pontos críticos de alagamento eliminados são inconsistentes. Documentos oficiais frequentemente apresentam números divergentes, dificultando a validação dos resultados das obras realizadas até o momento.
A Influência das Chuvas em Boa Vista
A vulnerabilidade da cidade a alagamentos não deveria ser uma surpresa. Boa Vista tem um histórico de chuvas volumosas, com média anual de 1.716 milímetros concentrada principalmente entre abril e setembro. Como destacado pelo MPC, a previsibilidade das chuvas exige que o planejamento de drenagem seja adaptado para realidades conhecidas, evitando surpresas prejudiciais.
Documentos Requeridos para Auditoria
Para dar seguimento à auditoria proposta, o MPC solicitou uma série de documentos à Prefeitura, incluindo o Plano de Drenagem, um cadastro georreferenciado dos pontos críticos de alagamento, detalhes sobre contratos e medições das intervenções feitas desde 2021, além de relatórios emitidos pela Defesa Civil.
Reações da População sobre os Alagamentos
A reação da população a esta situação continua a ser de frustração. As inundações persistentes, o deslocamento de famílias de áreas de risco e a elevação do nível do Rio Branco são apenas algumas das consequências visíveis do mal planejamento em drenagem. A expectativa é que a auditoria traga respostas e possíveis soluções para esses problemas crônicos.
Próximos Passos e Expectativas do Tribunal de Contas
Após o protocolo do pedido de auditoria, o TCE-RR terá a responsabilidade de avaliar se realmente dará início à investigação e a quais medidas adicionais serão implementadas para melhorar a situação. A população aguarda que ações concretas sejam adotadas para garantir que os problemas de drenagem, que afetam a qualidade de vida na cidade, sejam finalmente resolvidos.


